quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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Muro ameaça cair sobre residências
Preocupados com a situação, moradores da Rua Eva, na Vila dos Pinheiros, cobram solução para o fato que causa pânico

As tempestades, que não pouparam todo o país de tragédias, atingiram Caieiras e região e desde dezembro de 2009 continua causando estragos e preocupando moradores em diferentes bairros. Na Vila dos Pinheiros, cerca de dez famílias residentes na Rua Eva, estão aflitas por conta de um muro de mais de oito metros, localizado na parte de cima dos terrenos, que corre o risco de desabar sobre os imóveis.

A moradora Regiane da Silva teve parte de sua casa interditada pela prefeitura e aguarda por uma definição da secretaria de Obras para que possa voltar a ocupar a casa. "O imóvel que fica próximo ao muro foi desocupado pelos meus pais. Não conseguimos mais ficar sossegados. Qualquer barulho assusta e eu não posso viver assim", falou Regiane.

De acordo com ela, o solo está fazendo pressão no muro que trincou e provoca rachaduras na residência. "Precisam tirar essa terra que está encostada no muro causando todo o problema. A água da chuva está vertendo e atingindo as casas. Todos estão muito preocupados com a situação", declarou a munícipe.

Enfrentando o mesmo dilema, Rubistania da Silva, 39 anos, também está aflita com a questão. "O volume de água abriu um buraco no barranco atrás de casa. Estamos com medo e as autoridades precisam se mexer. O mais engraçado é que consta na prefeitura a existência de um muro de arrimo construído no lugar deste barranco", disse a moradora.

Em todos os casos, as famílias que tiveram seus imóveis interditados pela Defesa Civil foram convidadas a irem para abrigos. No entanto, os locais oferecidos não apresentam condições para receber as pessoas adequadamente. "Os funcionários da prefeitura mandam sair de casa, mas não oferecem um lugar apropriado. Não temos para onde ir e o jeito é conviver com o medo", comentou Rubistania.

"A situação é difícil para todos, mas se houver uma providência imediata, os riscos de uma tragédia diminuem. Depois que acontecer, não vai adiantar ficar procurando culpados", disse outro morador.

Para a surpresa dos moradores, na quarta-feira, 3, alguns deles  receberam uma ligação de funcionários do setor de Obras, informando que os imóveis estavam liberados, sem ao menos terem ido ao local para averiguar a atual situação. O secretário de Obras, Gersinho, foi procurado para dar esclarecimentos sobre o problema, mas não retornou aos contatos até o fechamento da edição.

Incoerências da administração pública de Caieiras

Os dois últimos meses não tem sido fáceis para os atuais prefeitos de cidades atingidas pelas chuvas administrarem. Mesmo assim, documento público mostra que, financeiramente, no caso de Caieiras, havia recursos diante de uma arrecadação invejável e quase nada de investimentos para os setores diretamente envolvidos com estas questões.

Desde o começo de dezembro, a chuva causa estragos na cidade e prejuízos aos munícipes. Mas, os atuais administradores parecem não dar a devida importância para o que vem ocorrendo. Prova do suposto desinteresse remete à aplicação de verba nas secretarias municipais, em especial as relacionadas com problemas de enchentes, desabamentos, entre outros, enquanto outras pastas, como o Jurídico, por exemplo, teria sido beneficiada de forma louvável.

Neste período, mais precisamente no último mês de 2009, de acordo com o demonstrativo de montantes dos tributos arrecadados e recursos recebidos, divulgado na página 2 da edição n.º 6 de 27 de janeiro da Imprensa Oficial de Caieiras, a prefeitura arrecadou mais de R$ 10 milhões. A verba obrigatoriamente foi distribuída, porém, as secretarias de Promoção Social e Meio Ambiente, diretamente ligadas a estas questões, foram as menos beneficiadas. Juntas, as duas pastas receberam o recurso de apenas R$ 83.920,30 para atender famílias desabrigadas e resolver questões ambientais. Em certa ocorrência, como a de 8 de dezembro, quando a cidade de Caieiras sofreu enchente parecida com a registrada em 1986, Roberto Hamamoto chegou a decretar Estado de Emergência, uma possibilidade legal de exceção regulamentada pelo Conselho Nacional de Defesa Civil desde 1999 e que é utilizada para combater os efeitos de acidentes e desastres nos municípios. A questão oferece ao administrador a possibilidade de investimentos imediatos, principalmente para auxiliar a população afetada e com dificuldades.

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